SUSANE VIDAL


Jornalista, escritora, professora universitária e mestre de cerimônia.

30
dez
2017

Posse na ALA

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O ano 2017 se despede e posso afirmar que foi um ano muito especial pra mim. Espero que tenha sido bom pra você também! Entre as conquistas e realizações, gostaria de destacar minha posse na Academia de Letras de Aracaju, ALA, no último dia 14 de dezembro. Compartilho aqui meu discurso com vocês:

Foto: Ana Lícia Menezes Foto: Ana Lícia Menezes

DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE ARACAJU – ALA (14/12/2017)

Olá, boa noite!

Essa é uma saudação familiar que eu faço uso há pouco mais de 20 anos, entrando em suas casas, em seus locais de trabalho ou de passagem, para apresentar telejornais.

Agora que tentei fazê-los reconhecer minha voz e a jornalista que já devem ter visto na tela da TV, permitam-me saudar como manda a tradição e o respeito que me cabe a cada um aqui presente.

Ilustríssimo senhor presidente da Academia de Letras de Aracaju, Francisco Diermerson , ilustríssima senhora vice-presidente Jane Guimarães, ilustríssimos membros da mesa, autoridades presentes, confrades, confreiras, meus familiares, amigos e demais convidados, peço a permissão, inicialmente, para dividir minhas palavras com todos os acadêmicos e convidados que me concedem, neste momento, a satisfação da companhia e honra do comparecimento a esta solenidade de posse.

Prometo tentar tornar minhas palavras breves em um pronunciamento capaz de receber o acolhimento por parte das senhoras e senhores. Não sou oradora, sou falante, muito falante, quem me conhece sabe o quanto as palavras encontram um lar e exercem um fascínio em minha boca.

Gostaria de começar com o sincero agradecimento aos acadêmicos que indicaram e acolheram o meu nome para fazer parte deste seleto grupo que muito nos honra com suas experiências, obras e posicionamentos na educação, artes, política e na sociedade como um todo. Chego com a disposição de uma mulher valente para me somar à ALA, que seja jovem, madura, forte e presente nas discussões que se fizerem necessárias.

Ao longo de uma intensa, porém jovem, vida jornalística e acadêmica, pude aprender e sempre busco aprender muito com o outro. Não sei se sou boa aluna, mas colaboro em perceber que minha sede pelo novo me traz fôlego para não desanimar. Nessas andanças, aprendi que nunca sabemos demais, nunca sabemos o todo, há sempre algo a acrescentar, é necessário estar disposto para absorver novos conhecimentos. E é nessa caminhada que trilho minha vida profissional e pessoal.

Hoje estou aqui com uma missão, ocupar a cadeira de número 37, cujo patrono é o jornalista, escritor, contista, ativista de movimentos culturais, Célio Nunes, que nos deixou há oito anos. Para mim é uma honra que espero poder contribuir para que sua trajetória não seja esquecida.

Aracajuano, Célio Nunes nasceu no dia 11 de outubro de 1936, filho do gráfico José Nunes da Silva e da professora Júlia Cana Brasil e Silva. Por um tempo estudou Jornalismo na UFBA, Universidade Federal da Bahia, onde viveu na década de 60, mas se considerava autodidata. Com a regulamentação da profissão, obteve o registro profissional de Jornalista.

Já ali, naquela época, se destacou como repórter, redator e correspondente de vários jornais, a exemplo do Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, Diário da Tarde e do Correio de Ilhéus. Exerceu também alguns cargos públicos. Foi subsecretário de cultura da Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de Itabuna, diretor da Secretaria da Câmara Municipal de Itabuna e presidente da Associação dos Servidores Municipais de Itabuna. Preso político em 1964, em Itabuna (BA), em decorrência do golpe militar.

Ao retornar a Sergipe, na década de 70, foi assessor de imprensa do antigo Condese, depois Secretaria do Planejamento, por onde se aposentou. Foi também membro do Conselho Estadual de Cultura, diretor administrativo e financeiro da SEGRASE, onde chegou a ser presidente. Além de fundador, por duas vezes foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe. Foi ainda diretor da Federação Nacional dos Jornalistas, presidente da Associação Sergipana de Imprensa e chefe da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe.

Trabalhou como redator na Gazeta de Sergipe, redator e editor do Jornal da Cidade, redator, editor e diretor geral do Jornal da Manhã. Cronista de vários jornais e sites de internet, recebeu diversas homenagens, placas e medalhas, entre as quais a do Mérito Cultural Ignácio Barbosa, em Aracaju.

Entre suas obras publicadas, destaque para Trajetória para a Ilha dos Encantados, Réquiem para José Eleutério, O Diário de W.J. e outras histórias, além é claro, da participação em diversas antologias.

O livro Microcontos, escrito por Célio Nunes, foi lançado pela Editora Diário Oficial, em memória póstuma, no dia 6 de dezembro de 2011, aqui mesmo neste espaço, a Sociedade Semear, onde nos reunimos esta noite. A obra reúne pequenos contos publicados por ele na internet e em uma revista literária de São Paulo, ao longo dos últimos quatro anos antes do seu falecimento, ocorrido em 13 de agosto de 2009.

Como bem destacou o jornalista e historiador, Gil Francisco, em uma publicação da Revista Cumbuca:

“É isso, no fundo, o que mais me orgulha é o amor à leitura e ao escrever, ao lado de ter lutado por sonho ou sonhos por um mundo melhor, sonho ou sonhos que se não me proporcionaram dinheiro, fizeram-me rico de sentimentos, de dignidade e de honestidade, coisas tão raras nos dias atuais”. Célio Nunes

Aos seus familiares, a minha gratidão, homenagem e respeito.

Queridos confrades, confreiras, autoridades, convidados, quando menina, meu sonho era desenvolver alguma atividade que pudesse unir a fala e a escrita. Não por acaso, me tornei jornalista e alguns anos depois, professora universitária.

Enquanto estudante de Jornalismo, na Universidade Tiradentes, exatamente no último período de minha formação acadêmica, fui aprovada numa seleção na TV Bahia, afiliada da Globo, onde posteriormente soube que de 200 participantes, somente oito conseguiram pontuar as habilidades exigidas e eu não só era um deles, como a única que vinha de outro Estado.

Com o aval da coordenação do meu curso, elaborei meu TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, direto da capital baiana, onde permaneci por quatro meses, indo e vindo em função do Curso Novos Nomes, onde experienciei todas as etapas dentro de uma redação de TV, em Salvador. O tema do meu TCC foi “Rascunhos de Mulher” com foco na atuação de cinco jornalistas sergipanas na comunicação em rádio, TV, jornal impresso, colunismo social e sindicato.

Penso ser oportuno destacar, ainda, que, ao retornar à Aracaju, à época, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, Milton Alves, me encorajou a encarar o mercado de trabalho aqui na minha terra e por isso fui à luta. Comecei a trabalhar na reportagem da antiga TV Jornal, e para minha surpresa, apenas três dias depois, fui chamada para trabalhar na TV Sergipe, afiliada da Globo, onde estou há 20 anos e três meses.

Nesta casa, aprendi a aprender e sigo com essa mesma pré-disposição porque entendo que ninguém é sábio o suficiente a ponto de não precisar aprender algo novo ou até mesmo aprofundar algum conhecimento adquirido. Como o saudoso professor João Barreto Neto costumava repetir, nas aulas de Sociologia: “Podem levar tudo que você tem, seu dinheiro, suas joias, suas vestes, menos o conhecimento. Isso é seu, ninguém rouba”.

Na TV Sergipe, tive a oportunidade de exercer, praticamente, todas as funções na redação. Da produção à edição, passando pela reportagem e apresentação de telejornais, onde acompanhamos as mudanças tecnológicas, especialmente, na linguagem, procurando estar cada vez mais próxima do público.

Com alegria, dedicação e comprometimento de toda a minha equipe, alcançamos pela primeira vez agora em 2017 uma marca histórica, 45 pontos de audiência, de acordo com a última pesquisa IBOPE, consolidando o telejornal SETV 2ª Edição, o nosso SE dois, o de maior audiência no Estado de Sergipe e o programa mais visto na grade da programação da TV Sergipe. Como editora-executiva, só tenho a agradecer a cada um que faz parte da minha equipe.

Também fruto desse trabalho, em 2003, graças a várias reportagens feitas no programa Sergipe Comunidade, em que o foco também era a criança e o adolescente, recebi da Andi, Agência de Notícias dos Direitos da Infância, em Brasília, o título de Jornalista Amiga da Criança. Sim, sou uma Jaca.

No ano seguinte, em 2004, iniciei minha jornada como professora universitária no curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo na Universidade Tiradentes. Em sala de aula, meu propósito sempre foi transportar o aluno para a vivência do mercado de trabalho do Jornalista e mostrar que para se destacar em alguma área, é preciso encarar os desafios e se manter firme na busca da qualidade, com seriedade, ética, humildade, perseverança e paixão pelo que faz.

O gosto pela escrita aprimorou meu lado observadora e passei então a escrever crônicas. Há dois anos, lancei meu primeiro livro “A Força de um Olhar”, onde traz histórias comuns do cotidiano e onde é possível se identificar com personagens reais, que deram vida à obra.

Esse é apenas um breve relato para dizer que tudo sei, tudo que me tornei, agradeço a Deus que me abençoa grandemente e ao esforço dos meus pais, Eraldo e Eliane, que apesar das dificuldades, sempre priorizaram a minha e a educação de meus irmãos. Com eles aprendi e aprendo a ter disposição para o trabalho, a não desanimar diante dos obstáculos e ter fé em Deus, que tudo pode.

Agradeço também a parceria e torcida dos meus irmãos, sobrinhos, tios, avós e, claro, não poderia deixar de fazer um agradecimento especial à companhia diária em absolutamente todos os momentos de Itanna Couto, que tem sido essencial em minha vida.

Para os que me conhecem apenas dentro de uma caixa televisiva, posso afirmar que há muito mais que isso. Há aqui uma mulher forte, pulsante e frágil, como tem que ser, a depender do momento e das circunstâncias, a depender da necessidade, do contexto e do texto.

Fora da caixa, sou eu. Dentro da caixa, sou eu. Com a serenidade e discrição que me acompanham, saio da caixa, do baú das emoções, anseios, medos e me lanço fora para dizer com a força do meu olhar que escrever nada mais é do que demonstrar afeto pelas letras, coreografando a dança dos pensamentos que visitam cada um de nós.

Eis quem sou, eis que sou, eis que eu, eis que agora, eis que vamos, eis que bora e pra não perder a hora,

Muito obrigada!!!

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