SUSANE VIDAL


Jornalista, escritora, professora universitária e mestre de cerimônia.

07
jul
2018

Pode deixar comigo

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Sempre que alguém se mostra disposto a ajudar, tem um ou outro que desconfia. Coloca em dúvida os interesses por trás da boa fé,  a necessidade de mostrar capacidade acima da média. É uma pena que nem sempre tratamos a ação com a naturalidade que deveria existir. Talvez até por desconfiarmos sempre de tantos e por tantos atos que inviabilizam nossa percepção natural em ajudar o outro.

Há alguns dias, na sala de espera de uma clínica, me deparei com uma situação no mínimo curiosa. Uma jovem tentou imprimir a senha de atendimento, mas não conseguia apertar a tecla correspondente. Tentou uma , duas, três vezes e nada. Naquele instante, uma senhora, lá pelos seus 70 anos, se levantou, ignorou a presença da atendente e mostrou como se faz. A senhora tinha tanta certeza da sequência do procedimento que nem titubeou e ainda disse que ia trabalhar na clínica assessorando quem precisasse.  Provocou risos, inclusive da jovem assistida.

Fico encantada com a disposição das pessoas. Idosos então, acho um charme. Rezo e torço para chegar aos 70, 80, 90 anos com vitalidade e saúde suficientes que me permitam desempenhar atividades simples do cotidiano. Andar sem tropeçar, abaixar para pegar algum objeto no chão, viajar e desfrutar de alguma independência de locomoção. Se Deus me permitir, será um presente e tanto, hein? De joelhos, em agradecimento, desde agora.