SUSANE VIDAL


Jornalista, escritora, professora universitária e mestre de cerimônia.

19
jan
2019

Palco da vida

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A minha aptidão cênica também tem limites. Já não escondo o desagrado de aturar suas baboseiras. Revelar o seu interior como ele de fato é, deixar cair as máscaras da rebeldia desenfreada, me parece a prece de um menino que pede colo.

Tem gente que se apresenta de um jeito e depois vemos que o verdadeiro ser difere bastante de uma apresentação aceitável. Bom é que as máscaras não se sustentam por muito tempo. Pode até demorar, mas elas caem. Nesse instante, paramos pra analisar como o tempo é um mestre sábio.

Imagine então, no ambiente de trabalho. Tem sempre alguém que se destaca pelas especificidades comportamentais. Para mais ou para menos. Mas não passa despercebido. Não se esconde, há os que nem tentam.


31
dez
2018

Pelo fim do ano

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Chega essa época e percebe-se uma corrida frenética para dar conta. As metas que foram estabelecidas há 12 ou 10, ou seis, ou três meses. Dietas sabotadas ao longo de um ano inteiro. Cursos, especializações, intercâmbios adiados, mudança de emprego.

É necessário, é imperativo haver um marco para desencadear mudanças em nossas vidas. Uma data, um mês, um ano, enfim, somos moldados a isso. Porém, nem sempre esses ajustes dependem de um número, de um calendário.

As experiências comprovam que existem pessoas especiais que representam e nos dão, mesmo sem saber, um empurrão para o novo ou o resgate do que um dia foi bom. Mudar nem sempre é iniciar. Taí o verbo recomeçar que não me deixa mentir.


07
jul
2018

Pode deixar comigo

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Sempre que alguém se mostra disposto a ajudar, tem um ou outro que desconfia. Coloca em dúvida os interesses por trás da boa fé,  a necessidade de mostrar capacidade acima da média. É uma pena que nem sempre tratamos a ação com a naturalidade que deveria existir. Talvez até por desconfiarmos sempre de tantos e por tantos atos que inviabilizam nossa percepção natural em ajudar o outro.

Há alguns dias, na sala de espera de uma clínica, me deparei com uma situação no mínimo curiosa. Uma jovem tentou imprimir a senha de atendimento, mas não conseguia apertar a tecla correspondente. Tentou uma , duas, três vezes e nada. Naquele instante, uma senhora, lá pelos seus 70 anos, se levantou, ignorou a presença da atendente e mostrou como se faz. A senhora tinha tanta certeza da sequência do procedimento que nem titubeou e ainda disse que ia trabalhar na clínica assessorando quem precisasse.  Provocou risos, inclusive da jovem assistida.

Fico encantada com a disposição das pessoas. Idosos então, acho um charme. Rezo e torço para chegar aos 70, 80, 90 anos com vitalidade e saúde suficientes que me permitam desempenhar atividades simples do cotidiano. Andar sem tropeçar, abaixar para pegar algum objeto no chão, viajar e desfrutar de alguma independência de locomoção. Se Deus me permitir, será um presente e tanto, hein? De joelhos, em agradecimento, desde agora.


13
jun
2018

Toda forma de amor

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Em sua essência, amor não tem forma, também não tem cor, raça, gênero, circunstância. Palavra pequena com um significado grandioso. Tão grande que desperta a curiosidade, o voyerismo, a cobiça, o arrependimento.

E se não tem forma, também não tem jeito certo para viver, amar e demonstrar. Cada um que ache sua fórmula, sua receita, sua entrada e talvez até sua saída. E se isso vier a incomodar, não se apresse em julgar.

Há pessoas que precisam de bússola para definir uma orientação a seguir. Outras apenas vivem, sem questionar, sem perder tempo de amar. São eficientes em aromatizar o frescor do amor.